5 de jul de 2010

Ser humano..


Ser humano, no sentido de agir, é amar ao próximo diferentemente de qual classe social, gênero ou etnia ele pertença... é amar ao próximo independentemente dele ser uma pessoa "normal" ou com algum tipo de deficiência física ou mental. Ser humano é pensar, agir e sentir sempre se colocando no lugar do outro...
Pois bem, ninguém é obrigado a pegar um ônibus todo arrumadinho e cheirosinho... Ainda que isso pegue muito mal e demonstre falta de higiene. Mas dependendo do trabalho ou do afazer da pessoa, esta possa ser um condição rotineira dele o fazer. O que quero dizer é que hoje pela manhã peguei um ônibus, não muito lotado... na parada seguinte, um senhor adentrou-se e vi - ainda que a cobradora tentasse disfarçar - o olhar e o torcer de lábios, ao homem que educadamente lhe dera bom dia. Esse mesmo homem estava vestido com roupas aparentemente sujas, ele com expressão de cansaço e cabelos desarrumados... Concerteza estava vindo do trabalho... Ao perceber que eu havia visto o gesto dela e não disfarcei em nenhum momento o meu tom de reprovação (ao gesto da cobradora), a cobradora disfarçou fazendo-se estar olhando uma revista. Uma senhora (passageira do ônibus) também se sentiu constrangida ao sentar-se perto deste senhor... Constrangimento este percebido por outro rapaz que lhe cedera a cadeira na qual sentava. Constrangimento? Como será que este senhor também deveria estar se sentindo? Será que ele não estaria envergonhado por sua condição naquele momento? Dava para perceber pelos olhos cabisbaixos dele... 
São pequenos gestos como esse que traduzem quem nós somos. Se vimos uma pessoa arrumada, bem vestida e higienicamente "limpa" por fora, temos todo o gosto de sentarmos perto, de cumprimentar... ainda que essa mesma pessoa tenha o pior caráter do mundo. Agora quando se trata de um senhor como o descrito acima, torcemos os lábios em tom de desaprovação, temos medo e receio de sentarmos perto... pensamos logo no pior... e essa pessoa sim, pode ser a pessoa mais honesta do mundo. Que contradição não é mesmo?! Mas é a nossa realidade.
Não sei se eu acordei com o pé esquerdo hoje, mal humorada ou coisa do tipo para enxergar o lado negativo das coisas. Mas injustiças como essas passam despercebidas por nós todos os dias e só sentimos quando é conosco ou com alguém próximo. Dê a oportunidade de um trabalho digno a essa pessoa e melhores condições de vida a ela e veja a transformação pela qual ela passará... Ninguém anda sujo e mal vestido por que quer (salvo algumas e raras exceções)... Pense antes de torcer os lábios e olhar com pavor essas pessoas que lhe cumprimentam, pois elas são trabalhadoras como qualquer outra e merecem tanto respeito quanto nós. Pelo menos não estão roubando, matando ou fazendo loucuras para se sustentar e sustentar sua família...   

O que é real e o que é virtual


Agora pouco, enquanto redigia o post "Ser humano...", recebi um e-mail de um amigo com aquelas mensagens de reflexão. Li e que coincidência! Bate com o post acima citado... O título é "O que é real e virtual"
"Entrei apressado e com muita fome no restaurante.   
Escolhi uma mesa bem afastada do movimento, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha naquele dia atribulado para comer e consertar alguns bugs de programação de um sistema que estava desenvolvendo, além de planejar minha viagem de férias, que há tempos não sei o que são.  
Pedi um filé de salmão com alcaparras na manteiga, uma salada e um suco de laranja, pois afinal de contas fome é fome, mas regime é regime, né? Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás de mim:  
-Tio, dá um trocado? 
- Não tenho, menino. 
- Só uma moedinha para comprar um pão.  
- Está bem, compro um para você.   
Para variar, minha caixa de entrada estava lotada de e-mails. Fico distraído vendo poesias, as formatações lindas, dando risadas com as piadas malucas. Ah! Essa música me leva a Londres e a boas lembranças de tempos idos.  
- Tio, pede para colocar margarina e queijo também?  
Percebo que o menino tinha ficado ali. 
- OK, mas depois me deixe trabalhar, pois estou muito ocupado, tá? 
Chega a minha refeição e junto com ela o meu constrangimento. Faço o pedido do menino, e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto ir. Meus resquícios de consciência me impedem de dizer. Digo que está tudo bem.  
- Deixe-o ficar. Traga o pão e mais uma refeição decente para ele. 
Então o menino se sentou à minha frente e perguntou:  
- Tio, o que está fazendo? 
- Estou lendo uns e-mails. 
- O que são e-mails? 
- São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via Internet.. 
Sabia que ele não iria entender nada, mas a título de livrar-me de maiores questionários disse: 
- É como se fosse uma carta, só que via Internet.   
- Tio, você tem Internet?   
- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje. 
- O que é Internet, tio? 
- É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, conhecer pessoas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. Tem tudo no mundo virtual. 
- E o que é virtual, tio? 
Resolvo dar uma explicação simplificada, novamente na certeza que ele pouco vai entender e vai me liberar para comer minha refeição, sem culpas. 

- Virtual é um local que imaginamos, algo que não  podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer. Criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse. 
- Legal isso. Gostei! 
- Mocinho, você entendeu o que é virtual? 
- Sim, tio, eu também vivo neste mundo virtual. 
- Você tem computador? 
- Não, mas meu mundo também é desse jeito... Virtual.  Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu  fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou  água para ele pensar que é sopa. Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas eu não entendo, pois ela sempre volta com o corpo. Meu pai está na cadeia há muito tempo. Mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida muitos brinquedos de Natal, e eu indo ao colégio para virar médico um dia. Isto não é virtual, tio?   
Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas caíssem sobre o teclado. 
Esperei que o menino terminasse de literalmente 'devorar' o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sinceros sorrisos que eu já recebi na vida, e com um 'Brigado tio, você é legal!'. Ali, naquele instante, tive a maior prova do virtualismo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!